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O Mundo da Cachaa
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Aquela velha história machista, de que cachaça faz somente parte do universo masculino já é coisa do passado. As mulheres, já há algum tempo, invadiram o mercado da cachaça. "Uma mulher pode ficar charmosa bebendo cachaça". A frase foi dita por um jornalista carioca ao terminar de fazer uma reportagem com a cachacière Fernanda Nepomuceno. Sim, cachacière (ou cachacier para os homens). É o novo termo usado para o conhecido "Mestre de Cachaça", o especialista desta bebida tipicamente brasileira. Já faz tempo que a cachaça saiu da marginalidade para ganhar as mesas dos eventos e restaurantes mais sofisticados. E a bebida está ganhando cada vez mais apreciadoras.
Está cada vez mais comum encontrar rodinhas de amigas em cachaçarias nas grandes cidades. "Virou estilo porque a cachaça desce redonda", explica Fernanda Nepomuceno, que chegou a criar camisetas com a frase "Eu tenho estilo, eu bebo cachaça" para distribuir às amigas degustadoras.
Falando nas mulheres que degustam a cachaça, é preciso primeiro explicar que elas estão descobrindo este prazer porque realmente possuem uma sensibilidade extra que as faz apreciar a bebida de maneira diferente dos homens: primeiro, porque uma mulher leva, em média, 50 minutos para degustar uma dose de boa Cachaça de Alambique, enquanto o homem leva metade do tempo. Neste ínterim, ela consegue apreciar as nuances de sabor, acidez, perceber a madeira na qual a Cachaça foi envelhecida, então as que entendem da bebida já são realmente chamadas para opinar sobre ela.
O assunto tem ficado bem sério. Clubes, grupos e confrarias de cachaça exclusivamente femininos têm se espalhado pelos grandes centros urbanos.
Assim como o vinho, para conhecer a bebida é preciso estudar e degustar muito para conhecer as várias marcas de cachaça que existem no país.
Para quem quer se aventurar pelo mundo das aguardentes, vai o conselho de Fernanda: primeiramente é preciso gostar de bebida destilada. Caso não, nada de ir contra a sua natureza - deixe a bebida de lado. Se curtir, a ordem é experimentar. "As pessoas aos poucos vão querendo provar novos sabores e combinações. A vantagem é que, ao contrário do vinho, comprar cachaça é barato e cada vez mais chique", afirma a cachacière Fernanda Nepomuceno.
Dentre as inúmeras iniciativas que se proliferam pelo Brasil, algumas merecem destaque. É o exemplo do Clube Feminino da Cachaça, da Cachaçaria Pompéia-SP. O Clube Feminino da Cachaça é uma confraria de mulheres que apreciam a verdadeira cachaça artesanal e se reúnem para degustações e discussões sobre as marcas. Há, inclusive, aquelas consideradas próprias para este público dada a sua suavidade. A idéia surgiu quando um dos proprietários da Cachaçaria Pompéia, Sr. Beraldo, percebeu que as mulheres estavam se tornando consumidoras expressivas da sua carta de cachaças. “A mulher tem uma sensibilidade aguçada para perceber o bouquet da bebida e diferenciar as marcas. As peculiaridades de cada uma iam sendo comentadas de mesa em mesa e resolvi, então, juntar a mulherada para oficializar a arte de saborear uma boa cachaça”, explica.
Não provoque...é cor de rosa choque: Domina Suave
A destilaria Pedra de Cedro, de Brumadinho, município da região metropolitana de Belo Horizonte (MG), criou em 2002 uma aguardente com teor alcoólico mais baixo, cerca de 40%, ante os 48% das cachaças tradicionais, que já conquistou o público feminino. Trata-se da Domina Suave (gentil senhora, em latim), feita artesanalmente, com bastante esmero e armazenada em tonéis de jatobá que, segundo Maria da Paz Arruda, dona da destilaria, 'amaciam' a bebida e conferem um sabor único e um bouquet incomparável. 'Procuramos deixá-la mais suave, próxima do gosto das mulheres', diz Maria da Paz. 'As mulheres de Minas Gerais e as do Nordeste do país são as nossas mais fiéis consumidoras', revela a empresária. De acordo com o especialista Maurício Maia, a Domina Suave desce redondo deixando um retrogosto florido e perfumado, característica principal do jatobá.



